Um desastre culinário sem explicação

Crianças, não tentem isso em casa. Adultos, por favor, também não - eu suplico.

Dia 1º de setembro é aniversário da minha avó - ela completa 81 aninhos. Em reunião para decidir em que restaurante faríamos o jantar, alguém sugeriu que meu tio Milinho fizesse um de seus famosos risotos. Animada com a idéia, me ofereci para fazer a sobremesa.

Até aí tudo bem.

Querendo fazer algum doce diferente dos que costumo fazer, dei uma olhada nos meus Delicious... e escolhi a Tarte de Brigadeiro com Nogat de Nozes, que já andava namorando há dias. Linda na foto, de dar água na boca.

Acho que isso já deve ter acontecido com todo mundo - e comigo não é a primeira vez que acontece. Você segue a receita ao pé da letra, mesmo desconfiando que aquilo não vai dar certo - vai saber, né, vai que dá. E é claro que não dá.

Isso é extremamente frustrante, afinal de contas, você foi ao mercado para comprar os ingredientes, gastou seu tempo e $ para fazer a receita e, não menos importante, deixou uma montanha de louça na pia.

Mas dessa vez acho que foi muito pior. Enquanto processava os ingredientes da base, a peça da lâmina do processador subiu e empurrou a parte plástica que protege a tampa. Na velocidade em que estava girando, a peça plástica foi soldada na tampa (não saiu nem com alicate). E isso tudo para uma base que, é claro, não deu certo. Tá lôco.

Depois de arrumar a base (na mão, é claro), coloquei na forma e fui fazer o recheio.

Um dos ingredientes do recheio é gelatina em folha incolor. Como não tinha incolor no mercado e a receita era só para fazer um teste, comprei assim mesmo - a vermelha.

Então vamos lá, fazer o brigadeiro (que a essas horas já estava achando pouquíssimo em relação à quantidade de massa da base).

Sem grandes mistérios aí - tirando a minha grande dúvida: claras em neve no brigadeiro quente? Será que isso é uma boa idéia?

Mais uma vez, ignorei meus pensamentos infiéis e segui a receita.

Depois de colocar o recheio sobre a base e constatar que eu estava certa - faltou muuuito recheio nessa torta - nem pensei em fazer o praliné. Já tinha dado tanta coisa errada, e nozes estão caras. Abandonei o corpo.

Dia seguinte, ignorando o bordô do brigadeiro, provei a torta. Tinha uma consistência grudenta e esponjosa (a gelatina, claro) e uma tentativa de aerado no meio. O sabor não estava nem um pouco ruim, estava até gostoso (afinal, é brigadeiro) mas ficou extremamente encoberto pela enorme quantidade de massa da base.

Conclusão: Devo ter feito alguma coisa muito errada, pois tenho certeza de que a foodie que postou a receita deve ter conseguido um resultado muito melhor do que o meu. Além de dar tudo errado, a torta ficou com gosto de base de bolacha. Nada contra, mas pra isso não precisava ter feito o recheio.

* Achei a idéia da torta muito boa, mas aqui não funcionou. Depois de muitas adaptações e extensivos testes, postarei o resultado quando achar que este merece.

Obs.: Para o aniversário da avó, desisti de me aventurar pelo desconhecido: farei duas outras tortas que já conheço bem. Posto depois.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma fruta linda, estranha e sem gosto

Arroz integral com ervilhas

Empanadas integrais de ricota com espinafre